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"MVP, protótipo, mini app, produto: quatro palavras que o mercado mistura e o que cada uma exige de você"

"Não é o tamanho que separa protótipo de produto. São três perguntas: quem usa, se o dado é real e se você é dono. O mapa, e onde o seu app cai hoje."

Num fórum brasileiro, alguém que não programa fez a pergunta que muita gente faz calada:

"Uma pessoa não técnica não pode simplesmente gastar mais tokens, corrigir os problemas e chegar em um produto bom o suficiente?"

Tokens são a unidade em que a IA cobra o trabalho, o crédito que vai embora a cada pedido. Mas a palavra que me interessa na frase é outra: produto. Bom o suficiente pra quê? Pra mostrar pro sócio, pra usar na loja, pra cobrar de um estranho? Cada uma dessas respostas pede uma coisa diferente, e a pergunta não tem como ser respondida enquanto a palavra estiver solta.

A culpa não é sua: as palavras chegam vazias

O mercado usa MVP, protótipo, mini app e produto como se fossem a mesma coisa em tamanhos diferentes. O curso diz "seu SaaS no ar em 48 horas". O dev desdenhoso diz "isso aí é só um MVP", como se fosse xingamento. E a definição oficial ajuda pouco.

O Sebrae do Rio, num material sobre startups, define assim: "MVP (Mínimo Produto Viável) é uma versão simplificada do seu produto, com suas principais funcionalidades." Está correto, e serve pra quem está decidindo o que construir. Repare no que essa definição não diz: quem usa, se o dado lá dentro é de verdade, e de quem é a conta. Ela fala do que o app tem. Pra quem não programa, o que decide o trabalho é outra coisa.

O critério: três perguntas

Esqueça o tamanho. O que separa as quatro palavras são três perguntas:

  1. Quem usa? Só você, o seu time, ou gente de fora?
  2. O dado é real? Inventado pra teste, ou de uma pessoa de verdade?
  3. Você precisa ser dono? Do código, do banco, do login, do ponto pra onde voltar quando quebra.

Com elas, o mapa fica assim.

Protótipo

Quem usa: você, e quem você chama pra mostrar. Dado: de mentira. Dono: não precisa.

É a coisa feita pra responder "é isso que eu quero?". Pode ter tela que não salva nada, botão que não faz nada, cadastro com nome inventado. Feito em uma tarde, jogado fora sem dó.

O que exige de você: uma coisa só, não colocar dado real dentro. No momento em que o primeiro nome de cliente de verdade entra, ele deixou de ser protótipo, mesmo que ninguém tenha avisado.

Mini app (interno)

Quem usa: você e o seu time. Ninguém de fora. Dado: real, da sua operação. Dono: do banco, sim.

É o sistema da ordem de serviço, o controle de estoque, a agenda da equipe. Dá pra montar num fim de semana, e é o melhor uso da IA pra quem não programa.

O que exige: a conta no e-mail da empresa, não no seu pessoal; uma cópia dos dados que você já abriu uma vez; e um ponto de retorno, porque o time vai depender dele e você vai pedir mudança.

MVP

Quem usa: gente de fora, poucas pessoas, testando se querem aquilo. Dado: real, e de estranhos. Dono: sim, do login em diante.

O MVP do Sebrae é este: a versão mínima que vai pra mão de cliente pra descobrir se presta. A diferença pro mini app parece pequena e é a maior do mapa: agora o dado é de alguém que não é você, e cada pessoa só pode ver o que é dela.

O que exige: login que protege, e não só login que aparece (o teste das duas contas prova em dez minutos); uma pessoa de fora usando sem você do lado; e o banco no seu nome.

Produto

Quem usa: gente de fora, que paga e depende dele. Dado: real. Dono: de tudo.

É quando sair do ar vira problema de outra pessoa. O cliente te liga, o Pix tem que cair e liberar, o custo mensal tem que fechar com o que você cobra.

O que exige: as dez perguntas do checklist "Protótipo ou produto?", com zero "não". Eu publiquei o checklist inteiro aqui, e você responde sozinho em cinco minutos.

O que fazer hoje: dar nome ao seu

Pegue o app que você tem e responda as três perguntas, uma linha cada. Depois escreva o resultado no topo do arquivo de regras do projeto, o texto que a IA lê antes de cada pedido. Três linhas:

Estágio: mini app interno. Quem usa: eu e os dois técnicos da loja. Ninguém de fora. Dado: real, de clientes da loja. Nunca crie dado de exemplo em cima do banco de verdade.

Isso faz duas coisas. Pra IA, cada pedido começa com o contexto certo, em vez de ela adivinhar se pode mexer à vontade. Pra você, é um alarme: no dia em que você precisar mudar a linha "quem usa", você sabe que trocou de palavra, e que a palavra nova exige coisas que a anterior não exigia.

O mapa tem direção

Repare que as quatro palavras não são tamanhos diferentes da mesma coisa. São degraus, e cada degrau carrega as exigências do anterior mais as dele. Ninguém pula do protótipo pro produto sem passar pelo banco no próprio nome, pelo login que protege, pelo ponto de retorno.

Pra quem perguntou se dá pra "gastar mais tokens" até chegar num produto: tokens resolvem o que o app tem. As três perguntas são sobre outra coisa, e nenhuma delas se resolve gastando mais crédito. Se o vocabulário de banco, servidor e API ainda está confuso, comece por ele. Depois, suba um degrau por vez, na ordem.

Fontes