"Contratar um dev ou entrar na mentoria: a conta inteira, em real, com o que cada uma te deixa depois"
"Quanto custa mandar fazer o app numa software house ou com freelancer em 2026, quanto custa a mentoria à vista e parcelada, e a diferença que o preço não mostra: o que fica na sua mão quando acaba."
"Conversei ontem com uma pessoa que gastou 5 mil reais em lovable e gpt/codex fritando na ideia de fazer um sistema na empresa sem contratar um profissional e no fim foi tudo pro lixo."
"Agora o difícil é decidir se teria sido mais barato e melhor fazer certo do início ou se é mais barato e melhor fazer o lixo e depois arrumar."
As duas frases são de devs brasileiros, num fórum, em 2026. A primeira conta o caso de alguém que não é dev. A segunda é de quem foi chamado pra consertar o que a IA fez. E as duas fazem a mesma pergunta que chega no meu WhatsApp toda semana, com outras palavras: "com esse dinheiro eu não contrato alguém pra fazer?"
É uma pergunta honesta e merece uma conta honesta. Então vou fazer as três contas que existem pra ter um app funcionando na mão de cliente: mandar fazer, fazer sozinho na plataforma, ou fazer você com alguém conferindo. Com número, com fonte e com o ano, e com a parte que o número não mostra: o que fica com você quando o dinheiro acaba.
Por que a comparação costuma sair errada
Não é que você não sabe fazer conta. É que o mercado te dá dois números que não se comparam: o preço de um produto (o orçamento do freelancer) e o preço de um serviço (a mentoria, o curso). A pessoa olha os dois lados, vê que um deles "entrega o app pronto" e o outro "entrega aula", e a conta parece resolvida antes de começar.
Só que nenhum dos dois entrega o que a frase diz. O freelancer entrega um app que você não sabe avaliar. A mentoria não entrega aula: entrega o seu app, no seu nome, e o critério pra julgar ele. Isso muda a coluna do que está sendo comprado, e é ela que decide a conta.
Conta 1: mandar fazer
Vou usar o que as próprias software houses publicam. São tabelas de quem vende o serviço, então leia como "o que o mercado anda cobrando", não como estatística.
Software house. Um app simples, o que elas chamam de MVP (a primeira versão, só com o essencial), sai entre R$ 20 mil e R$ 60 mil na tabela da Techlise (abril de 2026) e entre R$ 30 mil e R$ 80 mil na da Growdev (abril de 2026). A Sudo (maio de 2026) põe o piso mais alto: R$ 60 mil pra um "MVP enxuto". Prazo típico: 2 a 4 meses. E as três dizem a mesma coisa sobre o depois: reserve 15% a 25% do valor por ano só pra manter. Num app de R$ 40 mil, são R$ 6 mil a R$ 10 mil por ano pra ele continuar existindo.
Freelancer. É a saída mais barata, e é a que a pergunta do começo tem em mente. A tabela de valor-hora da FacturaPDF (abril de 2026) põe o dev pleno (o do meio da carreira) entre R$ 100 e R$ 180 a hora, e o sênior entre R$ 200 e R$ 400. Um sistema pequeno, do tipo que sai de um protótipo do Lovable, leva umas 80 a 120 horas de trabalho de verdade se for feito com banco, login que protege e publicação. Faça a conta comigo: 100 horas de pleno dão R$ 10 mil a R$ 18 mil. Quem cobra R$ 3 mil pelo pacote inteiro está te vendendo 20 horas, e 20 horas não fazem isso.
Agora a parte que o orçamento não mostra. Você recebe um app funcionando. Ele funciona, e funcionar não é a mesma coisa que estar pronto. Você não sabe se o dado do cliente A aparece pro cliente B. Não sabe se tem backup. Não sabe o que é aquele arquivo com senha dentro. E, principalmente, cada mudança daqui pra frente é uma contratação nova: o freelancer já está em outro projeto, e a alteração no cálculo do frete vira orçamento, prazo e mais uma explicação do zero. Em 12 meses, quatro rodadas de ajuste custam mais que o app custou.
O que fica com você: um produto que outra pessoa entende e você não.
Conta 2: fazer sozinho na plataforma
É a que quase todo leitor deste blog já fez. A mensalidade da plataforma, o crédito em dólar, e o tempo. Eu já abri essa fatura em real: um app pequeno custa pouco por mês pra existir. O problema é o outro lado, o de construir sem saber o que pedir. A frase lá do começo é isso: R$ 5 mil em crédito "fritando na ideia" e nada no ar.
O boleto é a parte pequena dessa conta. A parte grande é que ela não tem fim. Cada "conserta isso" gasta crédito e risco, e o app continua protótipo, com os mesmos "não" no checklist das dez perguntas que tinha no primeiro sábado. Você não está pagando R$ 30 por mês. Está pagando R$ 30 por mês pra continuar no mesmo lugar.
O que fica com você: o protótipo, e a conta da plataforma.
Conta 3: a mentoria
A Mentoria Dono do App custa R$ 2.997 à vista no lote 1, que tem 5 vagas. Depois, o próximo lote é R$ 3.996. Ao todo são 15 vagas por turma, e não vai passar disso, porque as sessões individuais saem da minha agenda, não de um servidor.
O que entra, em 12 semanas: 12 encontros em grupo ao vivo de 90 minutos, 6 sessões individuais de 50 minutos comigo olhando o seu código, grupo no WhatsApp com resposta em janela fixa, e um portão em cada fase (Construa, Estruture, Opere) que só deixa avançar quando aquilo funciona de verdade. São 23 horas de contato direto. Divide o preço por isso e dá cerca de R$ 130 a hora, de um tech lead com 15 anos de código. Pela tabela de valor-hora que citei ali em cima, só as 5 horas individuais, no preço de consultoria sênior, já passam de R$ 1.000 a R$ 2.000. O resto (as 18 horas de grupo, o WhatsApp, o kit de agentes que você leva) vem junto.
Só que a hora barata é o menor argumento. O maior é o que fica: o app no seu repositório, o banco no seu nome, o teste que você sabe rodar, e o critério pra contratar dev depois. Porque você vai contratar, em algum momento. A diferença é que vai contratar por tarefa, com a especificação pronta, e vai saber ler o que voltou. A pergunta muda de "quanto custa um freelancer" pra "quanto custa contratar sem saber o que pedir", e a segunda é a que estoura orçamento.
O que fica com você: o produto, e a pessoa que sabe julgar o produto.
As três, lado a lado
| Mandar fazer | Sozinho na plataforma | Mentoria | |
|---|---|---|---|
| Custo de entrada | R$ 10 mil a R$ 80 mil | mensalidade + crédito | R$ 2.997 |
| Prazo | 3 semanas a 4 meses | sem fim | 12 semanas |
| Cada mudança depois | nova contratação | mais crédito, mais risco | você faz, ou pede por tarefa |
| Quem sabe se está pronto | o dev, enquanto ele estiver por perto | ninguém | você |
| O que fica quando acaba | um app que você não entende | o protótipo | o app, no seu nome, e o critério |
Parcelamento, sem maquiagem
Dá pra parcelar em 12x de R$ 309,96. E aqui vai o número que quase nenhuma página de venda escreve: o parcelamento é com juros do cartão, pagos por você, então as 12 parcelas somam R$ 3.719,52, não o valor à vista. Eu prefiro que você saiba disso antes de clicar do que descubra na fatura.
Pra ter referência do que uma parcela dessas compra no resto do mercado: duas a três horas de um dev pleno, ou uma hora de um sênior. Uma hora por mês de alguém que não conhece o seu projeto não termina nada. Doze parcelas dessas, aqui, terminam o produto e te deixam sabendo por quê.
E se a parcela pesa no seu mês, não entre agora. A mentoria não é a única saída, o blog inteiro está de graça, e o protótipo que você tem não piora por esperar um lote. O que piora é mandar dinheiro pra plataforma achando que é investimento, quando é aluguel.
Tem 7 dias de garantia, e tem uma condição no lote 1 que fica combinada por escrito antes da compra: quem entra com esse desconto topa dar um depoimento no fim e deixar eu contar o caso com nome. A primeira turma ainda não aconteceu, então não existe depoimento pra te mostrar. Existe o que eu já construí e opero, o Kallos e o Amigos de Papel, e este blog, escrito em público, post por post.
Pra quem a conta não fecha
Vou dizer antes, pra você não descobrir depois:
- Se você quer que alguém faça e não quer olhar o código, nem uma vez. Aí contrate, e contrate com o checklist das dez perguntas na mão: entregue ele pro dev e peça pra ele responder por escrito o que vai ficar "sim". Já é metade do problema resolvido.
- Se o app precisa de escala já: milhares de usuários, integrações com sistema grande, app na loja com equipe. Isso é software house, com contrato, e o valor lá em cima é o certo pra isso.
- Se você ainda não publicou nada. A mentoria começa de um protótipo no ar. Antes disso, publicar é o próximo passo, e está de graça aqui.
O que fazer hoje, sem gastar um real
Peça dois orçamentos de freelancer pro seu protótipo. Mande o link e o checklist das dez perguntas, e peça que o orçamento diga quais das dez ficam "sim" na entrega e quanto custa cada mudança depois. Você vai receber uma de duas coisas: um orçamento honesto, que vai bater com a conta 1 deste post, ou um número redondo sem resposta pras perguntas. Os dois te ensinam alguma coisa.
Depois compare com o que você já gastou na plataforma nos últimos três meses. Some crédito, mensalidade e as horas de sábado. Esse número, o que você já pagou pra continuar no mesmo lugar, é a única referência que importa pra decidir o próximo passo. A conta é sua. Eu só queria que ela fosse feita com todos os números na mesa.
Fontes
- Techlise, "Quanto custa desenvolver um aplicativo mobile em 2026" (5 de abril de 2026): https://techlise.com.br/blog/quanto-custa-desenvolver-um-aplicativo-mobile-em-2026/
- Growdev, "Quanto custa para fazer um aplicativo em 2026?" (30 de abril de 2026): https://growdev.com.br/quanto-custa-fazer-um-aplicativo/
- Sudo, "Quanto custa desenvolver um aplicativo em 2026?" (20 de maio de 2026): https://sudo.com.br/blog/quanto-custa-desenvolver-um-aplicativo/
- FacturaPDF, "Quanto cobrar por hora freelancer Brasil 2026 (tabela)" (7 de abril de 2026): https://facturapdf.app/pt/blog/quanto-cobrar-hora-freelancer-brasil/
- As duas falas do início são de um fórum brasileiro de dev (TabNews), 2026, e estão no swipe file da pesquisa deste blog.