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"\"Não tenho 12 semanas de agenda agora\": a objeção 2 e a conta de 90 minutos por semana"

"Trabalho, time, filhos: a agenda cheia é real. A conta de horas da mentoria, o que custa adiar e um ensaio de uma semana pra testar sua agenda."

"Bom nesse momento meu projeto está parado, mas gostaria de dicas de onde começar."

Quem escreveu isso num fórum brasileiro, em agosto de 2025, é engenheiro civil, não programa, e tinha acabado de gastar mais de cinco mil créditos num app que não saiu. "Parado" é a palavra. Não é "desisti". O projeto fica esperando uma semana mais calma.

É por isso que a segunda objeção que eu espero ouvir sobre a mentoria é: "Não tenho 12 semanas de agenda agora. Trabalho, time, filhos. Entro na próxima turma." A primeira turma ainda não aconteceu, então ninguém me disse isso ainda. Prefiro responder antes, com a conta na mesa.

A objeção é honesta

Não vou te dizer que é desculpa. Quem trabalha o dia inteiro, cuida de gente e ainda quer construir um produto tem pouca hora sobrando, e essa hora é disputada. Agenda cheia não é defeito seu. É o normal de quem tenta fazer isso.

O que eu discuto é a conclusão, "na próxima turma", porque ela parte de uma premissa que eu nunca vi se confirmar: a de que daqui a três meses a agenda vai estar mais vazia.

A conta de horas, sem arredondar pra baixo

Doze encontros em grupo de 90 minutos: 18 horas. Seis sessões individuais de 50 minutos: 5 horas. Entre um encontro e outro, a execução no seu app, de duas a três horas por semana: 24 a 36 horas.

Total: de 47 a 59 horas em doze semanas. Quatro a cinco horas por semana. O encontro em grupo fica gravado pra quem perder a hora ao vivo, e a sessão individual se marca com você, não com a turma.

Quatro horas por semana não é pouco, e eu não vou fingir que é. Mas repara em outra coisa: quem tem um protótipo parado costuma já estar gastando essas horas, só que espalhadas. Meia hora num domingo pedindo conserto, uma noite num erro que voltou, uma tarde relendo o que a IA mudou. O tempo sai de qualquer jeito. O que muda é se ele sai com ordem ou no improviso.

O que a pesquisa diz sobre hora marcada

Tem uma linha de estudo em psicologia sobre exatamente isso. Os pesquisadores chamam de intenção de implementação: trocar "vou fazer" por "quando for tal dia, tal hora, em tal lugar, eu faço tal coisa".

Peter Gollwitzer e Paschal Sheeran juntaram 94 testes independentes, com mais de 8 mil participantes, numa meta-análise (um estudo que soma os resultados de vários outros) publicada em 2006. O plano com quando-onde-como teve efeito de médio a grande em cumprir a meta, comparado com a intenção sozinha. Em 2024, os mesmos autores com Listrom atualizaram a conta pra 642 testes, e o efeito continuou lá, variando conforme o formato do plano.

O que isso não prova: nenhum desses testes é sobre construir app, nem sobre mentoria. Eles medem metas variadas, de exercício a exame médico. O que eles sustentam é uma coisa só, e ela basta aqui: intenção sem hora perde pra intenção com hora. "Na próxima turma" é intenção sem hora.

O que adiar custa, se o app já tem gente usando

Se o seu protótipo está parado e ninguém usa, adiar custa pouco além da mensalidade da plataforma. Se alguém já usa, a conta é outra. As três semanas depois de publicar acontecem com ou sem você na agenda: o dado de cliente entra, alguém pede uma mudança, a fatura chega. Elas não esperam a próxima turma.

E a próxima turma não abre na semana seguinte. Ela abre quando esta acabar, porque as sessões individuais saem da minha agenda.

Faça hoje: a semana de ensaio

Antes de decidir qualquer coisa, teste a sua agenda de verdade, olhando pra frente. Leva cinco minutos pra montar e uma semana pra responder.

  1. Abra a agenda desta semana e escreva dois blocos, no formato do estudo: "Quando for terça, 20h30, na mesa da sala, eu faço X". Um de 90 minutos, outro de duas horas. Dia, hora e lugar. Sem isso não conta.
  2. Bloco 1 (90 min): responda as dez perguntas do checklist no seu app e faça o teste dos dois usuários. Anote o seu número de "não".
  3. Bloco 2 (2 h): vire um "não" em "sim". O mais rápido costuma ser o primeiro, "o código é seu?": o passo a passo pra levar o código pro GitHub está publicado.
  4. No domingo, olhe o que aconteceu. Os dois blocos existiram? Alguém invadiu? Você moveu, ou cancelou?

Se os dois aconteceram, você acabou de provar que as quatro horas existem, e ainda saiu com um "não" a menos. Se nenhum aconteceu, isso também é resposta, e é honesta: agora não é a hora, e está tudo bem. Esse é um dos perfis pra quem a mentoria não é, e eu prefiro que você descubra numa semana grátis do que em doze pagas.

Era uma parede de várias

Tempo é só a primeira. Quem passa no ensaio encontra as outras logo depois: o que fazer no terceiro bloco, e no quarto, em que ordem, e como saber que o item ficou pronto de verdade. É aí que a hora marcada precisa de um caminho dentro dela.

Na mentoria, a primeira sessão individual serve pra isso: desenhar as doze semanas em cima da sua agenda real, cortando o que não cabe. Depois, uma hora fixa por semana com o grupo e um portão a cada quatro semanas com o seu projeto na tela. Mas o ensaio vem antes, e é seu. Marca os dois blocos hoje.

Fontes