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"Dado de mentira que parece de verdade: como montar 10 clientes fictícios pra testar sem usar cliente real"

"Testar com a planilha de clientes de verdade é o atalho que vira problema. Os 10 clientes fictícios que eu cadastro, um por um, e como apagar depois."

"Imagina você exportar dados de pacientes para o seu sistema que fica armazenada na sua conta pessoal?"

Um programador escreveu isso num fórum brasileiro, sobre os sistemas que cada setor anda montando com IA. Essa cena já tem post. Hoje é o momento antes dela, que quase todo mundo vive: o app está pronto pra testar, a tela de clientes está vazia, e a planilha com os 200 clientes de verdade está aberta na aba do lado. É só importar e ver como fica.

Não faça. E não é por frescura.

O atalho tem motivo, e o motivo não é você

Ninguém te deu um jeito melhor. A tela vazia não testa nada, e os dados de verdade estão ali. Faz sentido.

O problema é pra onde esse dado vai. Em muita ferramenta, o app que você testa e o app que o cliente usa escrevem no mesmo banco de dados. E isso acabou de ficar mais comum. A documentação do Lovable diz que, em 5 de outubro de 2026, o Lovable Cloud aposentou a separação entre ambiente de teste e de produção: "a partir dessa data, todo projeto Cloud roda num banco de dados só". O jeito indicado pra ver uma mudança antes de publicar são os rascunhos, e a mesma página avisa: "rascunhos não oferecem um segundo banco de dados".

Traduzindo: o que você cadastra testando fica no banco de verdade, junto com o cliente de verdade. Se a tela de lista vaza, vaza o dado do seu cliente, não o de um personagem.

Os 10 clientes que eu cadastro

A regra de ouro: todo dado de teste começa com a palavra TESTE. Assim você acha e apaga depois, sem confundir com cliente.

Cada um dos dez existe pra pegar um defeito diferente:

# Nome O que ele testa
1 TESTE Ana Souza o caso comum, tudo preenchido
2 TESTE João Conceição acento e cedilha na busca ("joao" tem que achar)
3 TESTE Maria D'Ávila apóstrofo no nome, que quebra muito formulário
4 TESTE Bia sem sobrenome
5 TESTE Maria Aparecida dos Santos Albuquerque de Oliveira nome comprido, que estoura a tela do celular
6 TESTE Carlos Lima cliente sem nenhum pedido (tela vazia)
7 TESTE Paula Reis cliente com 30 pedidos (lista longa)
8 TESTE Rui Matos pedido de R$ 0,01 e de R$ 1.234,56
9 TESTE Ana Souza duplicado do 1, de propósito
10 TESTE Inativo Pereira cliente que pediu pra sair

Dez clientes assim mostram mais defeito que duzentos de verdade, porque cliente de verdade é parecido demais entre si.

E-mail, telefone e CPF: onde mora a pegadinha

E-mail. Pros clientes que precisam receber alguma coisa (confirmação de cadastro, recuperação de senha), use o seu Gmail com um sinal de mais: [email protected], [email protected]. A ajuda do Google confirma que qualquer variação com o sinal de mais chega na sua caixa normal. Você recebe tudo, e o app enxerga dez pessoas diferentes.

Pros que não precisam receber nada, use @example.com: [email protected]. Esse domínio é reservado desde 1999 por uma norma da internet (a RFC 2606) justamente pra exemplo e teste. Não é de ninguém, e nenhum e-mail sai pra uma pessoa real.

Telefone. Procurei e não achei, na Anatel, uma faixa de números reservada pra ficção, como o 555 dos filmes americanos. Então qualquer número que você inventar pode ser de alguém. Use o seu celular no cliente que precisa receber mensagem, e nos outros um padrão claramente falso, como (11) 90000-0001. E a regra que vale mais que o número: o app nunca dispara WhatsApp ou SMS pra cliente de teste. Se dispara, peça pra IA bloquear o envio pra qualquer cadastro com TESTE no nome.

CPF. Não use gerador de CPF da internet. Um número que passa na conta de verificação pode ser o CPF de uma pessoa de verdade. O Mercado Pago, na página oficial de cartões de teste, indica o CPF 123.456.789-09 pro comprador de teste. Use esse no cliente que vai passar pelo pagamento. Nos outros, se o campo não é obrigatório, deixe vazio. App que pede CPF de todo mundo sem emitir nota? Leia isto antes.

Cadastrando e limpando

Cadastrar na mão, pela tela do app, já é um teste. Ou peça pra IA:

"Crie 10 clientes de teste exatamente com estes dados: [cole a tabela]. Todos com nome começando por TESTE. Não altere nenhum registro que já existe. No fim, me diga quantos clientes existiam antes e quantos existem agora."

A conta de antes e depois é o seu recibo: tem que dar exatamente dez a mais.

Pra apagar, nunca peça "apaga os dados de teste" direto. Conte primeiro:

"Quantos registros, em todas as tabelas, pertencem a clientes com nome começando por TESTE? Liste por tabela. Não apague nada."

Bateu com o que você esperava? Aí sim, peça a remoção, e conte de novo depois. É a mesma conferência de contagem que vale pra qualquer mudança no banco.

O que fazer hoje

Copie a tabela, mantenha o TESTE, cadastre. Depois rode o app com eles: a busca pelo João, a tela do Carlos sem pedido, a Maria Aparecida no celular. Anote o que quebrou.

Era uma parede de várias

Dado de mentira resolve o "com o que eu testo". Não resolve o "onde eu testo". O certo é ter um banco de teste separado do banco do cliente, e montar isso é um item da fase que eu chamo de Construa, junto com o código na sua máquina e o ponto de retorno. Até lá, o TESTE no nome é o que separa uma coisa da outra.

E tem a pergunta seguinte: com os dez cadastrados, o que exatamente você confere? Isso é outra lista, com a sua ordem.

Fontes